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qua, 19 Jun 2013
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Miguel Silva em discurso directo

Ser piloto de velocidade não é tarefa fácil. É um desporto extremo, carregado de adrenalina e cheio de perigos.

Miguel Silva enfrentou esta época o desafio de participar no Campeonato Open de Velocidade e conta a sua experiência e planos para o futuro.

O Miguel entrou já “veterano” para a competição. O que o levou a começar a competir aos 36 anos?
Desde muito cedo que se revelou a minha paixão por motos. O meu primeiro contacto com este meio foi em 1989, quando comprei a minha primeira moto, uma Honda Met-In. Várias se sucederam, até chegar às desportivas. Durante este percurso passei também por alguns raides e tive um contacto mais próximo principalmente com o TT, até aos 18 anos, quando manifestei o forte desejo de me iniciar na velocidade. Os tempos eram outros e portanto aquele foi um projecto que tive de colocar de parte. Conseguir a primeira moto já fora uma conquista sofrida, competir…só mesmo em sonhos.
Os projectos que se colocam de parte não se esquecem e os sonhos não se gastam, por isso o pretexto de um track day acordou o tal sonho adormecido.
A ideia seria compreender o potencial de uma moto recém-adquirida, uma Suzuki GSXR 1000, mas acabei por compreender muito mais do que isso: compreendi que os desejos que não se concretizam, nunca passam de desejos…e afinal, se outrora não tive oportunidade, agora reunia todas as condições para não continuar a desejar apenas. Tinha chegado o momento!
A campanha de sensibilização “Acelerar na pista, Não na estrada!” acompanhou sempre o seu percurso no motociclismo. Como é que nasceu este projecto e em que medida é que está ligado ao seu projecto desportivo?
O projecto nasceu depois de uma pergunta ter sido feita: “O que fazes para melhorar o desporto motociclista em Portugal?”. Gosto muito de motos e aquela pergunta fez-me interrogar-me a mim mesmo sobre se podia fazer mais e melhor. Reuni uma equipa multidisciplinar com experiência e também com a paixão por motos e velocidade, que tem ajudado de uma forma muito profissional a apresentar todas as acções já realizadas e sem a qual seria muito difícil de realizar esta pequena proeza.
É importante salientar que o projecto desportivo e a campanha de sensibilização são duas coisas distintas e separadas.
O piloto Miguel Silva tem dado a imagem pela campanha e divulgado um pouco aquela que é a sua experiência enquanto piloto, fazendo um paralelo entre a pilotagem em pista e a condução em estrada. O cidadão Miguel Silva, em conjunto com as pessoas que já referi, tem dado a alma e coração pela campanha e espera que outros pilotos, até de outras modalidades do desporto automóvel e motociclista, possam apoiar também esta causa. Esta campanha de sensibilização pretende, de uma forma positiva, educativa e recreativa, levar para as pistas todos aqueles que têm a adrenalina a correr no sangue e que gostam de acelerar, no intuito de suprimir este tipo de condução das estradas.
Quais são os objectivos destes dois projectos?
Desportivamente é ganhar experiência de competição, começando na classe PROMOCUP 1000. Ser o melhor Rookie da Classe e ficar entre os 3 primeiros de veteranos, caso houvesse essas categorias.
Participar activamente em campanhas de sensibilização rodoviária, promovendo a iniciativa “Acelerar na pista, não na Estrada!”, visando uma maior segurança nas estradas e levando para as pistas os amantes de velocidade de moto e auto.
Há um sem número de pessoas que gostam de velocidade – que gostariam de experimentar, participar ou até simplesmente assistir – e não tem como obter essa informação. Por outro lado, existem também aqueles que, como eu antes de me iniciar, procuram e pesquisam e acabam por perder muito tempo e muito esforço, só, e aqui sublinho o só, para angariar informação sobre aquilo que necessitam para se iniciar no motociclismo em velocidade. Muitas dessas pessoas eventualmente acabam por desistir ou imaginar uma realidade diferente, o que, regra geral, as conduz a alternativas indesejáveis do ponto de vista da segurança rodoviária, não apenas da sua, mas dos demais utentes das vias.
Neste contexto, entrámos recentemente na blogosfera também com esta iniciativa, através do blog www.miguelsilva23.blogspot.com/ que é já uma plataforma de comunicação com o propósito de combater essa desinformação.
Já percebemos o que o Miguel está a fazer para melhorar o desporto motociclista em Portugal. O que acha que deveria melhorar na modalidade e em que medida também os outros pilotos, marcas ou mesmo o público poderão influenciar essa melhoria?
A modalidade necessita de atrair público para as pistas e talvez a forma de concretizar isso é levando as pistas até ele. Os pilotos também podem contribuir mediatizando-se junto do público e dos meios de comunicação social. Noutras modalidades são inclusivamente contratadas agências de comunicação e isso reflecte-se na notoriedade da modalidade junto do público e consequentemente no seu crescimento. As marcas, com a promoção de troféus, como a Honda tem realizado, também ajudam a promover o desporto. Muito provavelmente outras marcas realizarão troféus, como a Kawasaki ou a Suzuki, à semelhança do que tem acontecido lá fora. Em alternativa poderiam proporcionar condições mais aliciantes a quem quer iniciar-se na modalidade na classe Promocup. O público em geral é interessado e tem vindo a crescer em todo o mundo. Em Portugal apenas falta que a informação lhe chegue, como acontece com outros eventos que têm notoriedade suficiente para encher os circuitos de velocidade.
O público tem sido receptivo à campanha?
O público tem recebido muito bem a campanha e aderem com muita facilidade. Com a ajuda da XBOX 360 e da CMS Helmets, temos realizado eventos em centros comerciais muito divertidos e competitivos para os visitantes, que acham a iniciativa e a campanha muito louváveis e respeitáveis por envolver pilotos do campeonato nacional de velocidade. A equipa levou o ambiente de corridas até ao público e realmente tudo suscitou muita curiosidade e atenção. Todos gostam de ver, de falar com os pilotos e de competir com o simulador de corridas. Tem sido possível falar com inúmeras pessoas que gostavam de experimentar acelerar numa pista mas que, por este ou aquele motivo, nunca o fizeram. O entusiasmo das pessoas tem sido um propulsor para este tipo de iniciativas. O público gosta de contactar com os pilotos e é ávido por satisfazer a sua curiosidade sobre os vários pormenores das corridas que só quem as vive pode transmitir.
A meio desta época, que balanço faz do trabalho que desenvolveu ao longo destes meses em termos de campanha e em termos desportivos?
O balanço é positivo tanto em termos desportivos como em termos da campanha. Desportivamente a evolução tem sido constante, com a ajuda dos patrocinadores CNOG Motos, CMS Helmets, Espaço Kart e Salgados Moto, do piloto José Sousa, da equipa e várias pessoas que têm contribuído pessoalmente. Como todos os pilotos, gostava de ter um orçamento mais gordo para poder investir mais na moto e nos treinos. Até agora tenho conseguido ser o melhor rookie na classe promocup.
A campanha tem sido um êxito pela receptividade do público e também junto dos órgãos de comunicação social que receberam bem o projecto e têm ajudado bastante.
E planos para o futuro?
Se o futuro permitir, para o ano que vem poderei passar para o troféu CBR ou outro que possa surgir nos mesmos moldes, uma vez que permite acompanhar a classe stocksport e aprender com quem anda mais rápido em Portugal. Este desporto é evolutivo, mas já consegui obter algumas marcas pessoais interessantes e que me motivam a continuar, tais como fazer menos de 2 min na primeira vez que entrei em circuito, no Autódromo do Estoril, com a moto de série, conseguir fazer 1m25s com duas passagens por Braga, bem como ser o melhor rookie, até agora, na classe promocup.
Relativamente à campanha, temos planos para continuar com acções que permitam melhorar o desporto motociclista em Portugal. Esperamos ainda este ano conseguir pôr em prática alguns planos previstos com parceiros que também irão reforçar a notoriedade do desporto junto do público, mas sobre os quais neste momento não posso avançar mais informação.
O que ficou por dizer?
Venham às pistas ver-nos correr. Há muitas pessoas que não sabem isto, mas podem estar nas boxes mesmo a ver as corridas e falar com os pilotos e os mecânicos. Por isso venham às corridas! Certamente que para alguém que goste minimamente de velocidade, ou simplesmente de motos, será uma experiência muito interessante e enriquecedora.
Engine'R Team, 2008-08-30
 
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