Trial Indoor na cidade de Lisboa

Notícias - Reportagens - Reportagens Trial Indoor Cidade de Lisboa 2005 @ 1-3-2005

TSR @ 1-3-2005 00:00:00

Portugal já se rendeu ao Trial Indoor, prova disso foi a afluência de público que se deslocou no passado fim-de-semana ao Pavilhão Atlântico para assistir à actuação dos melhores do Mundo da modalidade.
Uma espectacular actuação, cabendo a Raga e Cabestany o papel das estrelas da noite. Brilharam e deixaram, uma vez mais, Lisboa ao rubro. Uma prova que certamente ficará marcada na memória de todos os que assistiram.

Adam Raga, bi-campeão em título, era o favorito, mas o cartel presente na competição não tornou a tarefa fácil a Raga. Takahisa Fujinami, Dougie Lampkin, Albert Cabestany, Marc Freixa, Jeroni Fajardo e Tadeusz Blazusiak, compunham o resto do grupo que brilhou no multiusos na noite de Sábado.

Tadeuz Blazusiak, piloto da Gas Gas, com apenas 21 anos, foi o primeiro piloto em prova e também o primeiro a abandonar a mesma. Foi a terceira vez que o polaco actuou no Campeonato no Mundo, esta temporada, como piloto convidado. Nas outras provas em que participou, Sheffield e São Petersburgo, classificou-se em último e sexto classificado, respectivamente.


Marc Freixa foi o senhor que se seguiu. Terminando a sua actuação com 20 pontos de penalizações, ainda não foi desta que o espanhol da Montesa-HRC mostrou bons resultados. Com um histórico recheado de bons resultados, Freixa foi o único piloto fixo do campeonato que ainda não conseguiu estar numa final. Causa destas actuações menos afortunada poderá ser a lesão que o piloto sofreu após uma queda no princípio da temporada.

Com 19 ano apenas, o espanhol Jeroni Fajardo, vencedor do Trial das Nações 2004 e uma revelação neste desporto, apesar da sua tenra idade, somou 16 pontos em penalizações na primeira volta. Fajardo surge no Campeonato do Mundo de Trial Indoor 2005, como substituto de Graham Jarvis, que no ano transacto pontuou 29 penalizações no Trial Indoor Lisboa.
Apesar das expecativas, pelos bons resultados obtidos nas provas mais recentes, e pela sua excelente condição física, a prova de Lisboa não correu bem a Fajardo, tendo penalizado logo nas duas primeiras zonas. De seguida, Fajardo recuperou a concentração, mas tal não lhe bastou para se superiorizar aos outros concorrentes.

O campeão do Mundo de Outdoor em 2004, Takahisa Fujinami, também não teve melhor sorte. Muito técnico e imprimindo uma boa velocidade, o japonês da Honda penalizou 11 pontos na primeira volta. Fujinami conseguiu estar em duas finais esta temporada, pelo que se demarcava como um dos favoritos.
Ainda pudemos ver o campeão disputar a paralela para depois abandonar a pista, visivelmente desagradado com a sua prestação.

O britânico Dougie Lumpkin, o piloto mais velho em prova e um dos pilotos com maior currículo desportivo em prova. O piloto da Montesa levou uma primeira volta com 8 pontos de penalização apenas e, apesar de estar a concertizar uma época muito irregular, o público português havia de lembrá-lo ainda pelas vitórias em 2000 e 2001 em Lisboa.
Na segunda volta, o britânico acompanhou Raga e Cabestany da melhor forma, mais concentrado, mais seguro, pontuando sempre muito próximo dos seus adversários. Foi precisamente na zona mais “outdoor” do conjunto, a zona das pedras, em que Lumpkin caiu, penalizando em 5 pontos e comprometendo o lugar na final. À partida, a zona das pedras seria uma zona relativamente fácil para Lumpkin, conhecido como o especialista em outdoor. A sorte não esteve do lado do piloto que teve de abandonar a pista depois de um fracasso na cascata e de uma sessão de saltos exemplar por parte dos três pilotos ainda em prova.

Adam Raga, o Campeão Mundial de Trial Indoor em título não teve um bom início, penalizando 6 pontos na primeira volta. Mas Raga vinha decidido a vencer para conquistar o título o mais cedo possível e virou o resultado com uma segunda volta exemplar. Muito técnico e muito rápido, como é o estilo a que o piloto da Gas Gas já nos habituou, o espanhol arrebatou o público com a sua prestação na segunda volta.
Há a salientar a prestação de Raga na zona da RTP, em que se colocou à frente de Cabestany, depois de executar com mestria alguns movimentos e de ter, premeditadamente, pontuado penalizações de 1 apoio para evitar penalizações mais severas. Com esta atitude, pouco habitual em Raga, que é um piloto que normalmente peca pela impulsividade que o leva a cometer erros, o piloto passa para a frente do seu compatriota por um ponto. Mas ainda faltava a zona da cascata.

Na zona da cascata Lumpkin saiu na frente e fracassou. O público estava expectante para saber o que aconteceria, uma vez que apenas um ponto separava os dois favoritos: Raga e Cabestany.
Raga seguiu-se a Lumpkin na cascata e somou um ponto às penalizações. O público entrava em euforia. Os dois espanhóis empatavam e, favoritismos à parte, todos esperavam que Cabestany passasse a zona da cascata sem penalizações para assistir ao duelo dos dois gigantes num desempate.

O público desejou e Cabestany concretizou. O piloto da Beta conseguiu não pontuar na cascata por escassos dois décimos. A prova continuava em aberto. Qualquer dos dois poderia ganhar a prova.

Antes de passar para o final, falta referir a prestação exemplaríssima de Cabestany na primeira volta. O piloto não penalizou na primeira volta. Zero pontos! Cabestany parecia decidido a vencer o Trial Indoor de Lisboa e dificultar a ascensão de Raga na geral do campeonato.
Na segunda volta notou-se alguma falta de concentração por parte deste espanhol, a cometer erros inusitados, dando a Raga, e ao público que o apoiava simultaneamente, um novo alento na conquista pelo título.

Após, um execelente desempenho na zona da cascata valeu-lhe o empate com Raga, o que aqueceu os ânimos daquela fria noite lisboeta.

O Desempate

Raga foi o primeiro a enfrentar os obstáculos. Porque desta vez o tempo poderia ser a chave da vitória, Raga imprimiu uma velocidade incrível e fez a zona sem penalizações.
O público aplaudia, certo da impossibilidade de superar tão espectacular resultado.

Seguiu-se a vez de Cabestany. Concentração no máximo, também muita velocidade. A meio da zona pode ouvir-se uma exclamação geral dos cerca de 9.000 espectadores presentes no pavilhão. Cabestany estava a fazer um tempo muito similar ao de Raga. Era possível!

Cabestany tocou o chão dois décimos de segundo mais rápido que Raga... os mesmos dois décimos que lhe valeram o empate na cascata.


Uma prova repleta de emoções fortes, é o resumo que se pode fazer do Trial Indoor Lisboa 2005. Para o ano esperamos repetir a experiência.

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Classificação Campeonato do Mundo de Trial Indoor

PilotosShef- fieldMarse- lhaTou- louse Gra- nadaBarce- lonaSão Peters- burgoMilãoLisboaTotal
Adam Raga10101010101010878
Albert Cabestany86888581061
Dougie Lampkin5863564643
Jeroni Fajardo3424685436
Takahisa Fujinami6546343536
Marc Freixa4335422326
Toni Bou5611
Tadeusz Blazusiak23128
Jérome Béthune2125
Fumitaka Nozaki11

Classificação Lisboa

1ª Volta
Piloto \ Zona234578910HJDL1Total
T. Blazusiak0551505021
T. Fujinami05050010011
J. Fajardo55500000117
M. Freixa05550050020
A. Cabestany0000000000
A. Raga0501000017
D. Lampkin0500003019
2ª Volta1245DL191011HJTotalDesempate
Lampkin1\00001+1555018
Raga00002\101070 (20"03)
Cabestany00010+1500070 (20"01)

TSR @ 1-3-2005 00:00:00



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